terça-feira, 14 de abril de 2009

Amor-Ódio / Confronto e Respeito

Sempre senti uma profunda satisfação quando via os desenhos animados, era um pouco mais novo, e o "mau da fita" passava a "bom". Agora dei alguma reflexão sobre o assunto, pois é uma situação que pode acontecer no dia-a-dia com uma pessoa.

No caso de um desenho animado desprezamos a personagem má pelos seus métodos e estilo de vida, da maneira como mata inocentes ou rouba a carteira de uma avozinha. Contudo se esse mau do elenco, num turbilhão de acontecimentos, passar a bom e começar a ajudar as personagens que tanto gostamos então de repente achamos-lo fascinante, e sentimos o quão aliviado é o facto do nosso herói ter a ajuda de alguém como esse ex-vilão.

E porque será este fascínio repentino? Num desenho animado a questão de ódio para com a personagem vil é muito simples, ela é má e nós sabemos que sim, quando somos pequenos não nos apercebemos de algo muito simples. Para aquela personagem ser o grande ser maléfico que aterroriza tudo e todos, tem de ser tão magnifico quanto o nosso herói, se não, não seria tão difícil para o nosso herói dar uma sova no bandido. O bandido tem tantas qualidades físicas e mentais quanto o herói da história, e assim também acontece na realidade, podemos chegar a odiar uma pessoa por algo trivial, ser-se inimigo dessa pessoa e ao mesmo tempo admirar profundamente (e inconscientemente), essa pessoa, pois o ódio tem o mau hábito de nos obrigar a superar o inimigo e para superarmos o inimigo temos de nos aperceber das suas qualidades. Quando essa pessoa por acaso nos defende, ou nós a defendemos, apercebemos-nos que existe uma onda de conforto porque é claro como a água o reconhecimento das virtudes do novo sidekick.

Parece-me a mim que este é o "grande" mistério por detrás de uma relação de amor-ódio

quinta-feira, 9 de abril de 2009

A Shot of Rythm and Blues

Suave, apenas um pouco esfriada, aquela nota de Blues solta-se e torna-se um pouco mais clara, emite um tom acolhedor que aparenta não ter fonte. Diverte-se e vagueia ao sabor da corrente, corrente esta agora mais nítida em que os heróis tomaram o que era deles. Quem a vê pensará sem pensar de mais sobre o pensamento, está embriagada, não esta nota está apenas solta e vai tocando o seu timbre puro, êxtase de ilusão em que procura um pouco mais que a sua tenra realidade, pois uma nota por si só não tem muito valor, pode até ser a figura principal do espectáculo mas por muitas vezes que seja tocada, sem as outras não tem valor.

Tocou noutras notas, umas cinzentas, outras castanhas, algumas brancas, e até pretas, prendeu-se numa em especial, uma nota verde e fresca, com um toque também esta de azul, mas um azul diferente, aquele azul cristalino que se vê, numa outra substância natural que pertence a uma realidade diferente. Se ela soubesse combinar o seu azul menos suave, com um verde em sintonia talvez a outra, aquela, a verde e cyan também se tivesse prendido e rendido ao profundo azul que esta tem para oferecer. Mas como tudo o que é bom na vida, a nota verde com um toque ligeiro de cyan perdeu-se e propagou-se em direcção a outras, porventura também estas verdes com toques de cyan.

Resta a esta pequena nota de Blues continuar a vaguear em busca da sua perfeita sintonia de Jazz.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Aqueles

Pela madrugada tremeu a terra em Itália, o epicentro foi em L'Aquila a cerca de Noventa Quilómetros de Roma. Até ao momento foram dados como mortas Cento e Cinquenta pessoas, e Cinquenta Mil desalojados, assim em números redondos.

De acordo com o que se escreve por aí um cientista alertou as autoridades locais há uma semana atrás da forte possibilidade desta ocorrência, estas mesmas autoridades tentaram denunciar este homem a autoridades mais autoritárias que elas próprias, mas não no intuito de transmitir a mensagem do cientista, mas para o punir por espalhar conclusões de aparências absurdas.

Estou a ter um déjà vu de outra ocorrência catastrófica, na Ásia, na Tailândia, em que foi detectado um forte sismo em alto mar e que havia a possibilidade de ocorrer um maremoto, e assim foi, na altura também descartaram os avisos porque supostamente não queriam afastar os seus queridos turistas das zonas costeiras, pois bem, afogaram-nos.

Na TVI (se não estou em erro), falou uma mulher que está dentro da área da sismografia, e que aparentemente a reacção que as autoridades de L'Aquila tiveram perante o cientista foi normal, porque o cientista não é reconhecido e porque é muito difícil prever um sismo.
Dito isto enumerou vastas razões para a impossibilidade de prever um sismo, mesmo com Noventa Por-Cento dos dados a indicarem tal ocorrência como um facto, o sismo pode acontecer passados Vinte anos, e portanto, deve-se ignorar todos os cientistas até que passados uns minutos dos sismos os Noventa Por-Cento passem a Duzentos, e isto foi exactamente o que aconteceu. Se tivesse oportunidade então colocaria a questão à dita senhora desta forma, então e porquê gastar recursos numa unidade especial que serve para detectar sismos, se mesmo que eles tenham dados nunca vão ser utilizados até após o sismo? Mais vale nomear essa unidade de Comissão de Efeitos Posteriores. Minha opinião.


E agora uma mensagem a Aqueles que nos governam, e que nos cobram uma parte do que é nosso para nos protegerem: Façam o favor de nos proteger, obrigado.


Fonte:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1372981



domingo, 5 de abril de 2009

Princípio da Inércia

De acordo com os dicionários, Inércia:
do Latim inertia s. f.,
falta de acção; preguiça;
falta de movimento, apatia;
resistência dos corpos ao movimento;




Ora a Inércia como eu a conheço, é uma espécie de dádiva de alguém para com todo o ser humano que se disponha de a usar, sem embaraço, durante aquele momento delicado após acordar. Para mim é dos momentos mais produtivos do dia, embora paradoxalmente a palavra signifique improdução, pois é neste momento que podemos fomentar a nossa imaginação e criar, não existindo à partida nada que nos impeça de nos deliciarmos daquela força. Basicamente, é aquela preguiça matinal que nos prende à cama e que nos faz dar voltas e voltas, relaxando todos os músculos do corpo, alongando e contraindo os tendões de forma a que relaxem sobre o leito matinal, e que por último acaba mesmo por nos embalar direitinhos a mais um sonho, o Quinto ou Sexto da noite, não sei, por aí dizem os "especialistas".

Para que seja possível sentir a tal presença da Inércia, que neste momento deve parecer aliciante a quem esteja a ler, ou não, basta ter um sentido tal de irresponsabilidade que vos faça esquecer certos horários, ou como opção, acordar umas horas mais cedo, de qualquer maneira eu descarto a segunda hipótese, dormir é sagrado, até posso não dormir mais de Sete horas por noite, mas menos que isso é cansativo. E esta delicia é aquela que me acorrenta de manhã, e não permite que eu chegue a tempo às aulas, sempre foi assim, provavelmente só mudará quando me arriscar a perder emprego/salário por estar a desfrutar da magnífica e saborosa Inércia, a qual eu tive o cuidado de elevar à forma maiúscula, pois de facto merece.

Experimentem, mas tenham cuidado, é aliciante.