domingo, 24 de maio de 2009

sábado, 23 de maio de 2009

Pequeno Excerto

Apesar do pouco tempo disponível, arranjo sempre cinco, dez minutos para pegar num livro, todos os dias, nem que seja para ler apenas uma página adiando o inevitável sono:

"Sei que também te é estranho que assim seja. Podes crer, porém, que o sofrimento que infliges tantas vezes inconscientemente - e que quantas vezes logo esqueces - é para o grande homem, mesmo se incurável, motivo de reflexão em teu nome, não pela grandeza dos teus actos vis, mas exactamente pela pequenez. E é ele quem se interroga sobre o que te leva a maltratar o marido ou a mulher que te desapontou, a torturar os teus filhos porque desagradam os vizinhos odiosos, a desprezar e explorar alguém só porque é bondoso; a receber quando te dão e a dar quando te exigem, mas nunca a dar quando o que te é dado o é por amor: a bater em quem já está de rastos; a mentir quando te é pedida a verdade e a persegui-la bem mais do que à mentira. Zé Ninguém, tu estás sempre do lado dos opressores.

Para que o estimasses e te caísse em graça, o grande homem teria de se adaptar ao teu modo de ser, Zé Ninguém, falar como tu e gabar-se das mesmas virtudes. A verdade é que se ostentasse as tuas virtudes, falasse a tua linguagem e gozasse da tua amizade não seria mais grande, autêntico ou simples"

In Escuta, Zé Ninguém de Wilhelm Reich

A Observar a População V - Constatação do Óbvio

Independentemente da idade, ninguém parece interessado em compreender as pessoas à sua volta, talvez porque a realidade de outros seja demasiadamente assustadora e possa tornar-se na realidade de quem escolhe ignora-la. Talvez seja apenas o medo de abraçar a desgraça dos outros, talvez seja apenas egoísmo, sei lá se calhar é apenas natural. É mais importante ter posses, beleza e estatuto, nada do qual me interessa, nunca interessou e nunca me vai interessar. Nunca digas nunca? Eu digo, sei da utilidade do que acabei de referir, "dá jeito" ter qualquer um ou todos eles, mas não é algo que procure minimamente.

Não tenho tido disponibilidade para pensar sobre muito, e por isso a inactividade deste blog, neste mês de Maio.

domingo, 26 de abril de 2009

Caderno de Leitura I - Editorial Leya Biis

Talvez por força da necessidade provocada pela crise, talvez para marcar a diferença, talvez de um modo competitivo ou simplesmente porque acham correcto a editorial Leya Biis oferece a todos nós a oportunidade de comprarmos livros com bastante valor por apenas Cinco Euros e Noventa e Cinco Cêntimos. Pode parecer tacanho mas nem todos nós temos acesso a livros que por vezes custam mais de Trinta Euros e por isso esta editorial é bastante apelativa e ganha uma crescente onda de clientes. A partir desta editorial já me apropriei de três obras e num futuro próximo, oxalá, mais virão, apresentam além da obra capas simples e não muito floreadas.

As obras são as seguintes:

As Intermitências da Morte
por José Saramago

A Morte de Ivan Ilitch por Lev Tolstoi


Os da Minha Rua por Ondjaki

Vou tentar a partir de este pequeno "segmento" (será apropriado usar esta palavra para algo referente a um blog?), descrever algumas obras e tentar que passe o gosto pela leitura de alguns destes livros, não só desta editorial em especifico mas de livros em geral. Eu sei que isto é algo que abunda por todos e mais alguns blogs, tudo bem, mas nada como descrever o gosto que temos quando acabamos de ler um livro (gosto este misturado com alguma frustação pois a história acabou).


Nota: Quebrei a média de Cinco posts por mês no ano Dois Mil e Nove, nada como quebrar rotinas, hehe.