quinta-feira, 9 de abril de 2009

A Shot of Rythm and Blues

Suave, apenas um pouco esfriada, aquela nota de Blues solta-se e torna-se um pouco mais clara, emite um tom acolhedor que aparenta não ter fonte. Diverte-se e vagueia ao sabor da corrente, corrente esta agora mais nítida em que os heróis tomaram o que era deles. Quem a vê pensará sem pensar de mais sobre o pensamento, está embriagada, não esta nota está apenas solta e vai tocando o seu timbre puro, êxtase de ilusão em que procura um pouco mais que a sua tenra realidade, pois uma nota por si só não tem muito valor, pode até ser a figura principal do espectáculo mas por muitas vezes que seja tocada, sem as outras não tem valor.

Tocou noutras notas, umas cinzentas, outras castanhas, algumas brancas, e até pretas, prendeu-se numa em especial, uma nota verde e fresca, com um toque também esta de azul, mas um azul diferente, aquele azul cristalino que se vê, numa outra substância natural que pertence a uma realidade diferente. Se ela soubesse combinar o seu azul menos suave, com um verde em sintonia talvez a outra, aquela, a verde e cyan também se tivesse prendido e rendido ao profundo azul que esta tem para oferecer. Mas como tudo o que é bom na vida, a nota verde com um toque ligeiro de cyan perdeu-se e propagou-se em direcção a outras, porventura também estas verdes com toques de cyan.

Resta a esta pequena nota de Blues continuar a vaguear em busca da sua perfeita sintonia de Jazz.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Aqueles

Pela madrugada tremeu a terra em Itália, o epicentro foi em L'Aquila a cerca de Noventa Quilómetros de Roma. Até ao momento foram dados como mortas Cento e Cinquenta pessoas, e Cinquenta Mil desalojados, assim em números redondos.

De acordo com o que se escreve por aí um cientista alertou as autoridades locais há uma semana atrás da forte possibilidade desta ocorrência, estas mesmas autoridades tentaram denunciar este homem a autoridades mais autoritárias que elas próprias, mas não no intuito de transmitir a mensagem do cientista, mas para o punir por espalhar conclusões de aparências absurdas.

Estou a ter um déjà vu de outra ocorrência catastrófica, na Ásia, na Tailândia, em que foi detectado um forte sismo em alto mar e que havia a possibilidade de ocorrer um maremoto, e assim foi, na altura também descartaram os avisos porque supostamente não queriam afastar os seus queridos turistas das zonas costeiras, pois bem, afogaram-nos.

Na TVI (se não estou em erro), falou uma mulher que está dentro da área da sismografia, e que aparentemente a reacção que as autoridades de L'Aquila tiveram perante o cientista foi normal, porque o cientista não é reconhecido e porque é muito difícil prever um sismo.
Dito isto enumerou vastas razões para a impossibilidade de prever um sismo, mesmo com Noventa Por-Cento dos dados a indicarem tal ocorrência como um facto, o sismo pode acontecer passados Vinte anos, e portanto, deve-se ignorar todos os cientistas até que passados uns minutos dos sismos os Noventa Por-Cento passem a Duzentos, e isto foi exactamente o que aconteceu. Se tivesse oportunidade então colocaria a questão à dita senhora desta forma, então e porquê gastar recursos numa unidade especial que serve para detectar sismos, se mesmo que eles tenham dados nunca vão ser utilizados até após o sismo? Mais vale nomear essa unidade de Comissão de Efeitos Posteriores. Minha opinião.


E agora uma mensagem a Aqueles que nos governam, e que nos cobram uma parte do que é nosso para nos protegerem: Façam o favor de nos proteger, obrigado.


Fonte:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1372981



domingo, 5 de abril de 2009

Princípio da Inércia

De acordo com os dicionários, Inércia:
do Latim inertia s. f.,
falta de acção; preguiça;
falta de movimento, apatia;
resistência dos corpos ao movimento;




Ora a Inércia como eu a conheço, é uma espécie de dádiva de alguém para com todo o ser humano que se disponha de a usar, sem embaraço, durante aquele momento delicado após acordar. Para mim é dos momentos mais produtivos do dia, embora paradoxalmente a palavra signifique improdução, pois é neste momento que podemos fomentar a nossa imaginação e criar, não existindo à partida nada que nos impeça de nos deliciarmos daquela força. Basicamente, é aquela preguiça matinal que nos prende à cama e que nos faz dar voltas e voltas, relaxando todos os músculos do corpo, alongando e contraindo os tendões de forma a que relaxem sobre o leito matinal, e que por último acaba mesmo por nos embalar direitinhos a mais um sonho, o Quinto ou Sexto da noite, não sei, por aí dizem os "especialistas".

Para que seja possível sentir a tal presença da Inércia, que neste momento deve parecer aliciante a quem esteja a ler, ou não, basta ter um sentido tal de irresponsabilidade que vos faça esquecer certos horários, ou como opção, acordar umas horas mais cedo, de qualquer maneira eu descarto a segunda hipótese, dormir é sagrado, até posso não dormir mais de Sete horas por noite, mas menos que isso é cansativo. E esta delicia é aquela que me acorrenta de manhã, e não permite que eu chegue a tempo às aulas, sempre foi assim, provavelmente só mudará quando me arriscar a perder emprego/salário por estar a desfrutar da magnífica e saborosa Inércia, a qual eu tive o cuidado de elevar à forma maiúscula, pois de facto merece.

Experimentem, mas tenham cuidado, é aliciante.

terça-feira, 31 de março de 2009

Curso de água

Dez da manhã, estou a inalar os gases que me são enviados directamente dos escapes dos carros. Estou a sair de casa portanto isto é apenas uma situação natural, tenho um lugar privilegiado para todo este espectáculo de cores cinzentas, hehe.

Mas okay, hoje estar levantado às Dez da manhã tem um propósito além daquele da vida rotineira, hoje estar aqui neste local e a esta hora significa que vou fugir pelas portas da traseira, vou sair a meio do espectáculo e vou concentrar os meus horizontes noutros interesses. Hoje vou ver um espectáculo de cores, em vez deste a preto e branco permanente.

Por volta das Onze encontrei um pelotão de pessoas que ficaram presas na porta de saída, afinal não era só eu que estava a achar o espectáculo desagradável, tic tac, quero sair, saiam da frente!
Enfim, já deixei o velho teatro para trás, agora é apenas um percurso que me levará a algo um pouco mais vitalicio. Bem de qualquer maneira já estou a chegar, começo a fitar planícies verdejantes, prados errigados, harmonia entre a natureza e as cores, menos cinzento esbatido e muito mais verde, amarelo, azul, branco, vermelho, entre outras cores que lá se vão despoletando na minha retina. Um vaca, Duas vacas, Três Vacas e Quarenta galinhas, Trinta e Três ovelhas e uns quantos porcos...Bem nem por isso, não contei os animais de quinta que estou a ver, mas são bastantes, se disser Cem estou tão correcto como Trezentos e Trinta e Três, porque de certo serão mais, logo esses números também se adequam. Os únicos gases por aqui disponíveis são aqueles que nos são oferecidos pela mãe natureza e as suas belas plantas.

O próprio tempo passa de modo diferente por aqui, ou melhor, passa de modo igual mas aparente ter outro peso, quando miro o relógio no velho teatro e vejo que está a bater as Três da tarde sinto que já é tarde e que estou quase a jantar, mas aqui quando vi o relógio bater as Três senti uma tranquilidade imensa pelo tempo disponível que tinha daí adiante.
Onze da Noite, tripé montado, câmara no respectivo poleiro e Uma, Duas, Três fotos, tranquilissimo e ninguém passou.

Bem agora posso fazer qualquer coisa que me apetece, estou indeciso entre ir para o telhado tirar fotos, ir para a sala ver um filme ou simplesmente ir para a rua e encontrar pessoas, sim porque por estas bandas qualquer um que nos veja saúda-nos, nem que seja por curiosidade coscuvilheira, mas torna as relações bem mais pessoais.

Assim é, vida minha aqui estou, por agora.