segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Joaquim e a Madalena

Um dia destes o Joaquim, nobre operário da construção civil, seguia o seu percurso normal para casa, era de noite, e tinha abandonado o local de construção de um prédio que já tinha toda a estrutura de Catorze andares montada, apesar de ainda só possuir cimento e aço, portanto o esqueleto do produto final, iluminado pelos holofotes de luz azul-esbranquiçada e acompanhado pelos guindastes que nunca ninguém sabe muito bem como aparecem, coisas enormes com vários tamanhos, imponentes na paisagem de qualquer centro urbano. Adiante. Chovia e fazia bastante vento, daquelas noites frias e demasiado aborrecidas para que o Joaquim se importasse com mais do que o passeio, ainda para mais a ainda mais aborrecida calçada portuguesa, pedra solta ali, buraco acolá, uma poça, salto e já está, calças ensopadas, sapatos inundados como barcos afundados num oceano de água citadina, cinzenta escura como o breu do céu da noite!

Estava perto de casa, era só subir mais Trezentos metros de uma rua com uma inclinação desumana

"Ah grandes construções urbanas, operários ali, pois, operário só precisa de casa para dormir, não precisa de uma casa plana, paredes secas e espaços amplos, e de que me queixo, a culpa é minha."

"É?"

"Quem está aí?"

"Quem pergunta aí?"


"Joaquim de Almeida e Trocos da Beira, operário de profissão, homem da monção, como pode muito bem ver! Mas eu é que não o vejo/a"

"Ora pois, é natural, talvez se olhasse para além das suas botas alagadas pode-se-me ver"


"Para onde devo olhar então? De onde vem a sua voz gentil e desafogada neste dia bastante afogado?"

"Bem logicamente não vem do passeio, tente olhar por ventura para os seus lados."


"Não vejo ninguém, onde está?"

"Talvez eu não seja alguém, ou talvez você, Joaquim, é que não é ninguém."


"É... Talvez não seja ninguém, mas aqui estou eu, e você aqui não está. Vá gozar outro!"

"Ora, não o estou a gozar, você apenas disse que não viu ninguém, e para você, alguém, é necessariamente algo que se assemelhe a si."


"Evidentemente, você então não é semelhante a mim, no entanto fala como eu, alguém você é."

"Diga-me Joaquim, porque não falam os cães?"


"Pois meu caro/a, eles ladram."

"E já ouviu alguma flor ladrar, miar, mugir, guinchar ou apenas as viu contemplar o tempo, como se dele não se apercebessem?"


"Pois claro que não, as plantas são só...plantas, não são animais, não necessitam de comunicar."

"Pois claro que... Porque pensas tu Joaquim, estar certo à cerca disso?"


"Porque sim. Não me tentes enganar, estás prai escondido debaixo de alguma pedra da calçada e a gozar com a minha cara já bem molhada, o meu consolo é que deves 'tar tão molhado como eu!"

"Dá-te prazer, Joaquim, que alguém que possivelmente te engana, sofra pelo menos em quantidade igual à tua? Já agora, não estou molhada, e estou sim debaixo de uma pedra, mas essa pedra é apenas um desnível no muro, e isso abriga-me da forte tempestade"


"...Aqui apenas se encontra uma Madalena... Queres que eu acredite que tu és esta Madalena debaixo desta pedra, num muro, numa noite de chuva e vento? Devo estar a ficar doente."

"Não meu caro, se te aproximares poderei comprovar-te."


"Como?"

"Segredarei ao teu ouvido, certamente não ouves um sussurro de alguém que não esteja
próximo, isso comprovará que a minha posição é esta que aqui vês."


"É apenas uma armadilha, bem vou-me embora."


"Joaquim, não queres ouvir um segredo de uma pequena e frágil Madalena, que desde que brotou aqui ficou?"


"E o que ganho com isso?"


"Bem nada de especial, mas talvez pudesses passar a ser Joaquim de Almeida e Trocos da Beira, contador de histórias de plantas, em vez de operário e homem da monção."



"...Que ridículo"


"Talvez, mas não foste tu que disseste que eras o culpado de não passares deste bairro desnivelado?"



"E agora serei o culpado de cair numa armadilha tão óbvia como esta, mas então vamos, conta-me lá um segredo..."


Alguns anos depois, Joaquim chegou a casa, depois de um dia muito longo e exaustivo. Entrou pela porta principal, chamou o elevador e subiu até ao Décimo Quarto andar, abriu a porta e entrou, tirou o seu casaco, descalçou os sapatos e foi à sua ampla varanda regar as plantas.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Era uma vez.

Bem, era uma vez uma história sobre caracóis e ingleses.

Um dia li no jornal que ia haver uma corrida de caracóis em Inglaterra, é verdade, uma coisa aborrecidíssima como uma corrida de caracóis, mas claro que fui a correr à minha horta contar aos meus queridos caracóis. Será que eles queriam concorrer numa corrida de caracóis? Eu seria o treinador claro!

"A Inglaterra, a pé????!!!!!!!... Nah..." diz-me um dos caracóis. Fiquei atónito, é óbvio que iríamos de avião. Mas ainda assim outro diz-me "Epá isso da corrida fica para o ano...", pois claro fiquei chateado e fui-me embora.

Uns dias depois fui à horta tirar uma alface, para uma salada, fui sem intenção de falar aos habitantes viscosos dos bolbos, mas para minha surpresa tinham desaparecido! Saltou um grilo à minha frente que me assustou e me disse que os caracóis tinham-se ido embora que nem setas, direitos a Inglaterra, estava a galinha Pedrês com eles, aquela que diz, "Eu sou a galinha Pedrês e se vos apanho, ainda vos faço em três". Sendo assim já percebi, quando a vêm até voam.

E não é que os caracóis ganharam a corrida!? AH! Bendita couve portuguesa!

Mas claro, que o palerma do Inglês desclassificou os caracóis portugueses, afirmando ele que eles não estavam inscritos e que ainda por cima traziam uma galinha com eles! Invejas digo eu!


Moral da história? Vão perguntar ao António Torrado, pois foi ele que a escreveu, eu apenas me limito a ter de a contar numa aula de Expressão Dramática, acho que ainda vou comer muita couve até lá...

Não foi o melhor regresso ao Blog eu sei, mas enfim melhores dias virão.

Victória victória, acabou-se a história (...?)

domingo, 20 de setembro de 2009

Let's go back to the stars - Part II

Hey where's that world we imagined??
What the hell happened to the dream??
Is all we're left with, a dim twist of irony??
So all there is to is to become star dust
Put on these rocket shoes, and fly with me if you will
Fly with me to those endless stars
Like Dindi and Firey-Tail
And here have my compass so you can find your way
Our place,
Let us find our place in the bilions of cosmic atomic particles
And watch the cycles of renewal
Just so i can prove you wrong over and over again
So i can tell you once again
See, time does not heal
People do not learn
I am the same
You are the same
They're the same
We're always the same
And the turns of the wheel shall be the same
Over and over and over again
To all of our long eternity
Singing it right into your ear:

But it was only fantasy.
The wall was too high,
As you can see.
No matter how he tried,
He could not break free.
And the worms ate into his brain.
(Hey You-Pink Floyd)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Nine Eleven

A data que prova que por muito sofisticado que o Homem se tenha tornado, ainda consegue ser arrastado para conflitos inúteis. E mais não digo sobre o assunto.